terça-feira, 25 de agosto de 2009

Uma estória...


"Dobrou o papel e o colocou dentro do caderno azul, já cheio de papéis. Apanhou o telefone na bolsa, fez que ligaria. Parou no meio. Repousou o telefone sobre a mesa. Olhou para ele como quem pedisse sua opinião: Ligo ou não? Mas o telefone móvel, agora imóvel, nem prestara atenção à pergunta.
Conferiu o lanche que acabara de chegar. Sim, todas as fatias de tomate estavam lá. O queijo, derretido à perfeição. Tudo certo. Mas para ela ainda faltava uma coisa. Olhou novamente para o telefone. Passou os dedos sobre ele: Ligamos? Desta vez o telefone deve ter sugerido: Melhor não. O que a fez suspirar longamente. O melhor a fazer, então, era devorar o lanche.
Que falta ela sentia de um bem, que falta lhe fazia um xodó. Mas não seria bom ligar, o telefone já a aconselhara. Chamou o garçom. Precisava beber alguma coisa.
O rapaz, elegante em seu uniforme novo, já a observava desde sua entrada. E viu ali sua primeira – talvez única – oportunidade de conversar com a sua bela da tarde. Vestiu seu melhor sorriso, voou em sua direção e pousou ao seu lado:
– Pois não?
– Uma água, por favor.
– Com ou sem gás?
– Com.
– Gelo e limão?
– Pode ser.
Ele, que não tinha ninguém e levava a vida assim, tão só. Se ao menos ela lhe notasse. Ela também não tinha ninguém, e tudo o que queria era um amor que acabasse o seu sofrer. Mas ela tinha o telefone. Que não a deixava ligar, talvez sabendo da desilusão por vir. Era um smartphone.
Trêmulo, ele lhe serviu a água. Buscou seu olhar. Ela ajeitava novamente os papéis no caderno azul. Para ela, ele era invisível. Ela só queria um xodó para si. Que fosse assim, do seu jeito.
Ela bebeu a água com o olhar perdido e tristonho. Pagou a conta, apanhou a bolsa e saiu. Mas esquecera algo sobre a mesa.
Enquanto ele recolhia sua louça, quase feliz só por tocar no copo em que ela tocara sua boca, não acreditou no que vira. A felicidade existia, então. Guardou o telefone junto ao seu peito, e esperou a tarde inteira que ele tocasse. Afinal, ele também andava querendo alguém que alegrasse o seu viver." (Silmara Franco)
* Achei tão pertinente esse texto.
Quantas vezes deixamos de perceber que, quem procuramos, pode estar bem do nosso lado...

8 comentários:

Denise disse...

Nossa!
Tu tens razão....estar atenta ao redor.
Lindo e verdadeiro
carinho

Gislene disse...

LINDO,LINDO!
PRECISAMOS TER OLHOS DE VER, E OUVIDOS DE OUVIR...
É PRECISO EXERCITAR SEMPRE...
UM ABRAÇO, GISLENE.

Francisco disse...

Ah, minha querida amiga!
E as vezes quando nos damos conta é tarde, não é?
Cèst La Vie, mon cherrie!!! rsrsrs
Beijãozão (com telefone ligado! rsrsrs)

Déia disse...

É minha amiga...as vezes estamos muito preocupadas procurando o homem de nossa vida.. que está bem diante do nosso nariz...mas não conseguimos enxergar... talvez a gente só perceba, qdo ele não estiver mais por perto...

E ela ligou?

bj

Desabafando disse...

Que lindo....inspirador! Amei a história!

Déia disse...

To postando um selinho pra vc!
bj

Francisco disse...

Com um All Star azul, não tem como alguém não ouvir "Estranho seria se eu não me apixonasse por você!" RSRSRSRS
Experimenta, minha amiga!! (Depois me conta!rsrs)
Outro beijãozão!

Dirce disse...

Ai, verdade, seria tão bom, tão mais fácil ser as coisas foram mais simples, né? ahhhhhhhhhhh

PS. Tem um comentário aí que...hummmmm...rs